Saturday, May 26, 2007

FEMINISMO E A FAMÍLIA


DOWN WITH THE FEMINAZIS

Portolani Special publica hoje um artigo com este título que apareceu pela primeira vez na Salisbury Review de Junho de 1994. Julgo que apesar de todos os anos passados desde então, o artigo continua actual. No fundo, como explico nos últimos parágrafos, é a família que está em causa. E hoje a família está mais ameaçada do que nunca. Muitos liberais mostram-se avessos à qualquer protecção estatal (fiscal ou outra) da família. (Ver o artigo no Público de hoje de João Madeira.) Percebe-se a desconfiança. No entanto estamos perante dois problemas de difícil resolução sem intervenção e apoio estatal hoje.

  1. O sério enfraquecimento como instituição da família na Europa.
  2. O colapso demográfico que acompanha este enfraquecimento.

Com o agravamento deste último fenómeno e as suas consequências económicas para a segurança social (privada ou estatal), começa-se a antever uma situação em que o ‘nanny State’ venha a tornar-se ainda mais poderosa numa desesperada e possivelmente totalitária tentativa de salvar a sociedade.

É altura de meditar seriamente sobre este assunto e deixarmos de nos refugiar em fundamentalismos dogmáticos.

‘Down with the Feminazis’ tenta abordar a questão da família e da mulher de um ponto de vista histórico. Acho que será nesta óptica que devemos também encarar os problemas actuais. Nota-se que os argumentos utilizados no texto são pragmaticistas (no sentido usado por Charles Sanders Peirce) e não há referência a juizos morais, tão polémicos neste campo.

Ler o artigo em Portolani Special: www.portolanispecial.blogspot.com


Friday, May 25, 2007

ISRAEL AND INTERNATIONAL LAW

O Médio Oriente está cada vez mais perigoso. O Irão contesta o direito de existir de Israel e ameaça a destruição da única democracia nesta região. A esquerda europeia e mais uns idiotas úteis entram no coro cuja má fé é evidente para quem tem olhos para ver e cerebro para pensar.
Melanie Phillips, mais uma vez, fornece elementos preciosos para elucidar esta questão. Ver o seu artigo na integra em:

www.portolanispecial.blogspot.com

APRESENTAÇÃO DE PORTOLANI SPECIAL

Nesta nova fase os leitores terão a possibilidade de acesso imediato a muitos dos artigos referidos sem procurar URLs. Portolani agora tem um site dedicado à publicação na integra de textos importantes cujo tamanho pesaria demasiado na main page. Agora poderão aceder de imediato ao site de Portolani Special, um suplemento dedicado, onde encontrarão documentos e referências importantes. Ver:
www.portolanispecial.blogspot.com

EXPLICAÇÃO E PEDIDO DE DESCULPAS

BOM DIA!

Depois de mais de cinco meses de silêncio, PORTOLANI recomeça a dar notícias.
A longa pausa deve-se às minhas dificuldades no acesso à Internet. Custos da interioridade e desse deserto que certo ministro considera existir no Alentejo.

Veio a chuva e já náo há deserto. Recorri à tecnologia 'wireless' e bye-bye os não-existentes serviços do Sapo, TVCabo e outros que prometem e não cumprem.
Finalmente resolveu-se o problema e vamos ao trabalho.

Irei recuperar alguns dos textos já publicados n'O Insurgente e Causa Liberal mas vem aí muita coisa nova. Alguns textos em português, outros em inglês, e se Monsieur le Président Sarkozy se portar bem, talvez em francès.

Não abandono os outros blogues. Mas como este é só meu, aqui vou sentir-me à vontade para bater mais forte nos adversários sem comprometer ou embarraçar os colegas.


Monday, December 18, 2006

PORTOLANI

PORTOLANI

Peço desculpas aos leitores pelo longo silêncio deste blog devido a complicados problemas com a minha ligação à internet. (Morte a Portugal Telecom!!!)

Hoje volto à questão do famigerado historiador pop AJP Taylor para chamar atenção aos ludibriados para uma nova biografia:
AJP TAYLOR:Radical Historian of Europe by Chris Wrigley,IB Taurus. 2006.
Uma recensão do livro aparece no jornal Guardian online em:

http://books.guardian.co.uk/review/story/0,,1967582,00.html

Mais uma vez retomo os meus argumentos: Taylor é uma figura desacreditada
entre os historiadores sérios. Todos reconhecem a sua diligència como pesquisador de arquivos mas poucos levam a sério as suas interpretações dos factos e ainda menos as suas predilecções ideológicas (leninistas e pro-soviéticas).

Os portugueses interessados em ler historiadores ingleses sérios só podem ganhar a ler Trevor Roper, Norman Davies ou Nial Ferguson. Taylor serve apenas como ídolo dos "semi-skilled intellectuals" no pub da esquina. Foi nesses ambientes que a sua fama cresceu depois do seus lançamento como tele-historiador.

Thursday, November 02, 2006

PORTOLANI

PORTOLANI

VERDADES E INVERDADES SOBRE O AMBIENTE: Leitura obrigatória

http://www.opinionjournal.com/editorial/?id=110009181

O WSJ traz hoje um importante artigo sobre mudanças climáticas e o tratamento tendencioso que lhes é dado pela maioria da imprensa.

Wednesday, November 01, 2006

PORTOLANI
O REFERENDO SOBRE O ABORTO

Um dos maiores problemas na Europa dos nossos dias, tanto humano como económico (portanto social) é o problema demográfico. Lentamente a Europa está a morrer. Enquanto os nascimentos continuam a descer, em vez de promover a natalidade através de incentivos fiscais e apoios sociais, o governo PS e os seus aliados enviam uma clara mensagem á população que desejam a liberalização do aborto. Dizem que esta medida chamada de "despenalização" é destinada a acabar com o flagelo do aborto clandestino. É uma falácia.

O aborto livre foi, durante quase toda a vigência do regime soviético, o método contraceptivo artificial mais preferido e banalizado.

A maneira mais saudável, humana e segura de evitar o aborto clandestino é o apoio à maternidade. O recente debate televisivo foi repleto de confusões, meias verdades e algumas mentiras. Piedosa mentira é essa repetida ad nauseam que nenhuma mulher encara o aborto com indiferença, mas que todas sofrem. Há, sim, muitas mulheres que recorrem ao aborto como método contraceptivo POR ROTINA. São as que têm dinheiro para isso. Muitas são da esquerda e estão simplesmente a seguir os passos traçados pelas suas avós revolucionárias.

O aborto livre desencoraja a contracepção, fornece um péssimo exemplo para as jovens e também para os jovens (desresponsibilizando-os) e assim constitui mais um factor nos riscos da sida. O aborto livre é péssimo para a saúde da mulher e da sociedade. A sua aceitação é sintoma indelível da decadência e do lento suicídio nacional.

DYING TO SUBMIT

Agradecemos a Melanie Phillips pela licença de reprodução deste seu último post.


November 1, 2006
DYING TO SUMIT
Another must-read piece at the Brussels Journal by Paul Belien says that the Dutch have effectively thrown in the towel before the unstoppable Islamisation of their country and progressively all of Europe:
In a recent op-ed piece in the Brussels newspaper De Standaard (23 October) the Dutch (gay and self-declared ‘humanist’) author Oscar Van den Boogaard refers to Broder’s interview. Van den Boogaard says that to him coping with the islamization of Europe is like ‘a process of mourning.’ He is overwhelmed by a ‘feeling of sadness.’ ‘I am not a warrior,’ he says, ‘but who is? I have never learned to fight for my freedom. I was only good at enjoying it.’
As Tom Bethell wrote in this month’s American Spectator: ‘Just at the most basic level of demography the secular-humanist option is not working.’ But there is more to it than the fact that non-religious people tend not to have as many children as religious people, because many of them prefer to ‘enjoy’ freedom rather than renounce it for the sake of children. Secularists, it seems to me, are also less keen on fighting. Since they do not believe in an afterlife, this life is the only thing they have to lose. Hence they will rather accept submission than fight. Like the German feminist Broder referred to, they prefer to be raped than to resist. ‘If faith collapses, civilization goes with it,’ says Bethell. That is the real cause of the closing of civilization in Europe. Islamization is simply the consequence. The very word Islam means ‘submission’ and the secularists have submitted already. Many Europeans have already become Muslims, though they do not realize it or do not want to admit it.
Some of the people I meet in the U.S. are particularly worried about the rise of anti-Semitism in Europe. They are correct when they fear that anti-Semitism is also on the rise among non-immigrant Europeans. The latter hate people with a fighting spirit. Contemporary anti-Semitism in Europe (at least when coming from native Europeans) is related to anti-Americanism. People who are not prepared to resist and are eager to submit, hate others who do not want to submit and are prepared to fight. They hate them because they are afraid that the latter will endanger their lives as well. In their view everyone must submit.
The crucial insight here is that only a strong indigenous faith has the capacity to resist Islamisation. That is why the collapse of Christianity in Britain and Europe and its steady replacement by secularisation is so catastrophic for the defence of the west. The useful idiots who believe that only a secular society can hold off the forces of irrational belief at the heart of the Islamic jihad have got this diametrically the wrong way round. Secularisation produces cultural enfeeblement, because the pursuit of personal happiness trumps absolutely everything else. The here and now is all that matters. Dying for a cause, however noble, becomes an absolute no-no. It’s better to be dhimmi than dead – the view that has now effectively prevailed in Britain and Europe.
The Islamists, whose shrewdness and perspicacity are consistently overlooked by racist European liberals who believe that Arabs and Muslims are too backward to have anything intelligent to say, are absolutely correct in their analysis of Europe as culturally decadent and too weakened by hedonism to fight for their way of life. The same danger looms, incidentally, for Israel, which despite all its vicissitudes, is fast turning into a spoiled, materialistic, consumer society in danger of eroding its Jewish values through precisely the same march of secularism (as Britain’s Chief Rabbi, Sir Jonathan Sacks, recently suggested). This is the single biggest difference between Britain and Europe, on the one hand, and America. Although the US is the high temple of consumerism, it is still a country with a very strong sense of its Christian faith. That fact is key to its robust sense of national identity, confidence and pride; and because it has such a strong sense of itself as a nation, it is prepared to fight to defend itself – the one bit of the analysis that the Islamists got wrong (although there are now deeply disturbing signs that the west’s cultural enfeeblement is beginning to erode American resolve too, at least around the edges).
That is why the cultural cringe of the Church of England before the advance of both secularism and Islamism is such unmitigated disaster, and why the Pope’s recent intervention was so significant. That is why those who sneer at President Bush’s strong Christian faith are cultural lemmings. And that is why I, a British Jew, argue that it is vital that Britain and Europe re-Christianise if they are to have any chance of defending western values.


http://www.melaniephillips.com/diary/?p=1372

Saturday, October 14, 2006

PORTOLANI

PORTOLANI
SALAZAR: MAIS OBSERVAÇÕES LIBERAIS

Alguns comentários provocados pelo recente texto sobre Salazar demonstram que o espírito futebolístico continua a dominar as mentes menos preparadas para debater temas políticos. Entre as características principais do liberalismo clássico são o espirito aberto ao diálogo e a capacidade de distinguir entre louvor e análise.
Imaginemos um inquérito destes em França onde os organizadores começassem por omitir o nome de Napoleão Bonaparte. Depois de ceder aos protestos imaginemos o que sucederia a seguir. Fúriosas acusações de bonapartista, legitimista ou jacobino? Ou será que os franceses, depois de dois séculos, já adquiriram mais maturidade?

Evidentemente, o caso Napoleão não é exactamente parallelo ao de Salazar por muitas razões. Em primeiro lugar o tempo que passou. Talvez a Cristina tenha razão e teremos que esperar dois séculos para discutir Salazar num ambiente mais calmo. Eu não penso assim. Pelo contrário, mais longe estamos da época salazarista mais dificil é entender as condições nacionais e internacionais desses tempos. E nós que vivemos esses anos estamos rapidamente a desaparecer. Os que viveram todo o Estado Novo na idade adulta teriam hoje cem anos. Todavia, ainda existe gente como eu que passou uma grande parte dos anos adultos a viver o salazarismo. Portanto, os jovens (pessoas com menos de sessenta anos!), se estiverem realmente interessados na história de Portugal deviam nos ouvir com alguma atenção.

1º A miséria em Portugal nos anos trinta, quarenta e cinquenta do século passado era realmente atróz. Contudo, era essa a situação por toda a Europa rural salvo nos países nórdicos. Em Portugal começou a abrandar quando a emigração e as guerras coloniais diminuiram drasticamente a mão de obra e, pela primeira vez na história do país, os empresários da cidade e dos campos tiveram sérios incentivos para investir na mecanização. O surto de produtividade nos anos sessenta foi a consequência. Não foi por nenhuma decisão do governo que isto aconteceu, mas pela conjuntura.

2º Nos anos trinta, e mais tarde, o grande obstáculo ao progresso económico era a falta de mercado interno. Salazar ou qualquer outro governante não podia, nas condições da altura, fazer muito para melhorar a situação. Certamente ele fez mais do que fizeram os sábios doutores da República, que levaram o país à bancarrota e uma situação em que nas chancelarias da Europa a palavra portugaisé significava desordem, bagunça e corrupção. Salazar proseguiu uma política económica intensamente proteccionista, totalmente contrária a todos os princípios liberais. Na situação de crise económica mundial, a autarcia praticada por Salazar, protegeu o país de maior parte dos efeitos da Grande Depressão. Havia ordem mas a pobreza pouco melhorou. Bem podiam pregar os raros comunistas. Os soviéticos tinham a solução na colectivização dos campos. O que não explicavam é que o resultado foi a grande fome e a morte de milhões de camponeses russos.

3º Quanto à questão da ameaça nazi sobre a Península. É muito engraçado à volta da mesa do café especular sobre o “might-have-been” da história. Os ingleses também o fazem. (Se os alemães tivessem invadido...?) O que interessa é o que realmente aconteceu e não o que teriam sido as intenções de determinada figura em determinadas circunstâncias. O que de facto aconteceu nos primeiros anos da Segunda Guerra Mundial foi que em Portugal os governantes e as pessoas informadas receiavam, com ou sem razão, uma invasão hitleriana. Os interessados podem consultar o grande livro branco em onze volumes Dez Anos de Política Externa (1930-47) A Nação Portuguesa e a Segunda Guerra Mundial para ler os documentos relevantes e a interessantíssima correspondência entre os nossos governantes, os embaixadores e representantes de Portugal no estrangeiro e governantes de outros países. Também a biografia de Salazar por Franco Nogueira traz muitos elementos valiosos. Independentmente disso eu própria posso testemunhar dos receios da época. O Consul Geral de Portugal em Londres apresentou-se ao Governo inglês oferecendo-se para chefiar um governo português em exílio caso Portugal fosse ocupado. O meu pai que estava no Consulado de Liverpool, despachou-nos, a minha mãe, eu e o meu irmão para os Estados Unidos, preferindo arriscar as nossas vidas na perigosa travessia por barco do Atlântico a enviar-nos para Portugal para escapar aos bombardeamentos. Receava que num Portugal ocupado a minha mãe como britànica e nós nascidos na Inglaterra tivessemos dissabores com o ocupante.

Portanto tentar tirar o mérito da política de neutralidade de Salazar, dizendo post factum que Hitler nunca teve intenções de invadir a península, não tem cabimento. Um homem de estado não pode brincar às adivinhas.

Portugueses da antiga oposição e especialmente os comunistas, cujo ódio visceral a Salazar ultrapassa os limites de racionalidade, parecem incapazes de examinar o fenómeno do Salazarismo com calma. Sobretudo o que impressiona é que foram até hoje incapazes de oferecer uma alternativa credível ao Estado Novo. O PCP era fraco nos anos trinta mas sem a repressão tinha crescido e tido a possibilidade de trazer a guerra civil aquém fronteira. Era isso que Salazar em parceria com Franco evitou. Até as sublevações nas colónias Salazar sempre seguiu uma política de prevenção. Era suposto ser autor da famigerada frase ”um safanão a tempo!” Toda a história do comunismo ensina que a desordem e o desgoverno sempre favorecem os comunistas, o que veio a confirmar-se nos tempos que se seguiram ao 25 de Abril.

É aquí que reside o paradoxo do liberalismo. É basicamente o paradoxo da democracia. Nos dias de hoje é o paradoxo do Iraq e de todos os Estados falhados.
Portugal no 28 de Maio de 1926 era um Estado falhado. Salazar, ditador, conseguiu retirar o país das ruinas. Democracia e liberalismo só florescem na prosperidade.
É por essa razão que os extremistas da esquerda e da direita regozijam com o colapso económico. Hoje a sua amargura e malevolência devem-se ao facto que não foram eles que trouxeram tempos mais prósperos para Portugal.

Thursday, October 12, 2006

Causa Liberal

Causa Liberal

SALAZAR: UM OLHAR DESCOMPLEXADO

Discutir Salazar apresenta um desafio para quem se considera um liberal no sentido clássico. Há meio século assim me considero. Quando acordei pela verdade sobre o comunismo, ainda levei algum tempo para começar a entender a natureza complexa do problema português dentro do contexto da Europa do seu tempo. Longe vai o tempo em que colaborei num livro intitulado Oldest Ally: A Portrait of Salazar’s Portugal (1961) traduzido para francês, espanhol e checo. Injusto para com Salazar, foi um sucesso nos meios anti-fascistas, excepto entre os comunistas portugueses, que queriam controlar o conteudo e não conseguiram. Os salazaristas também não gostaram. Durante onze anos fui proibida de entrar em Portugal. Portanto é evidente que não venho de nenhuma linhagem salazarista. Estes apontamentos são fruto de uma reflexão extremamente longa e penosa.

Como se vê pela actual polémica ainda poucos são capazes de abordar a figura de Salazar e o seu regime de um modo objectivo e desapaixonado. Este facto em si é já uma indicação de que Salazar tenha marcado singularmente a história de Portugal. O problema na realidade é outro. Não é se ele marcou, mas como é que marcou. Naturalmente os que se consideram prejudicados pelo regime salazarista e a pós-revolucionária derrota da esquerda têm uma apreciação extremamente negativa, enquanto o outro lado é mais ecléctico e as suas motivações mais variadas, mas muitas vezes igualmente subjectivas.

Praticamente ninguém quer tocar no nó da questão. É demasiado chocante para os bem-pensantes de todos os quadrantes. A direita, em geral, ainda receia o rótulo de “anti-comunista primário”. Todavia a verdade neste caso não é complexa. É bem primária, isto é: simples. Qualquer observador imparcial, despido de preconceitos herdados, é obrigado a reconhecer que tanto Salazar como Franco salvaram não só a Peninsula Ibérica, mas também a Europa do comunismo. Talvez nem um nem outro tivesse total consciência das vastas consequências das suas tomadas de posição, e funcionasse, cada um a favor prioritariamente do que julgava ser o interesse do seu país. Mas a sociedade e a história são assim: tal como no mercado económico, um imenso número de factores, parecendo independentes, se conjugam para trazer consequências que nenhum dos individúos involvidos havia planeado. Quando Salazar alcançou o poder nos fins dos anos 20 o seu primeiro objectivo foi o de pôr fim à desordem nas ruas e nas contas. Era anti-comunista convicto e coerente, mas o inimigo prioritário era a desordem; que esta podia facilitar o avanço do comunismo era incidental. Toda a sua política interna destinava-se a estabelecer e manter a ordem a qualquer custo. Se o custo em muitas áreas foi o não demasiado alto não vem aqui ao caso. Na década dos 30 Salazar manteve Portugal fora do conflito espanhol e paralelamente do eixo italo-germânico. Com imensa destreza e sensibilidade para os interesses nacionais e internacionais conseguiu manobrar numa corda-bamba entre o velho aliado e os dois novos tiranos.

Durante a Segunda Guerra Mundial persistiu nesta política e manteve Portugal fora da guerra ao mesmo tempo convencendo Franco a manter também a neutralidade, enquanto na fronteira dos Pirineus esperavam, ameaçadores, dez divisões panzer prontos a invadir.

Sem a neutralidade dos dois governos ibéricos as forças do Eixo podiam ter ocupado a peninsula fechando o mediterraneo aos aliados. (A presente geração esquece ou nunca reparou que Portugal é dos poucos países do mundo que goza mais de século e meio de paz no seu território. E que passaram quase duzentos anos desde que o solo português conheceu as botas de qualquer soldadesca estrangeira.)

Depois da guerra, quando a nossa oposição anti-salazarista sonhava com a queda do regime, Salazar prosseguiu implacavelmente com a mesma política. America e a Grã Bretanha, pelo desconsolo dos oposicionistas portugueses, apoiaram Salazar, entendo perfeitamente o perigo da URSS, através dos seus agentes locais, extender as suas garras até o Atlântico. O mundo livre pagou um preço, na área da credibilidade democrática, por este apoio aos regimes ibéricos.

Todos conhecem o desfeixo. A URSS desmoronou-se. Para quem tem olhos de ver tanto o socialismo como o marxismo sofreram estrondoso descrédito. Todavia, o comunismo não morreu. Em toda a parte sobrevive como uma miasma venenosa. Hoje, em nome da democracia (que eles nem sabem o que é) os “idiotas úteis” querem eliminar Salazar da história de Portugal enquanto enaltecem Fidel Castro e outros sanguinários ditadores. A História não lhes ensinou nada nem eles querem aprender.

Quanto à política colonial de Salazar esta é sem dúvida criticável. Tal como a dos britânicos na India, na Malásia, no Chipre, no Kenya, na Irlanda. Ou dos holandeses na Indonésia. Ou dos franceses na Indochina e na Argélia. Mas aqui também, na questão colonial, nunca podemos esquecer o factor soviético e a guerra fria. No que diz respeita às colónias portuguesas o que é certo, depois de tanto sangue derramado, é que não fica nada bem aos luminários da esquerda criticar Salazar. Não foi ele o responsável pela descolonização histérica e desastrosa que levou às guerras civis de Angola, Moçambique e Timor, onde morreram muitíssimo mais homens, mulheres e crianças do que alguma vez no tempo de Salazar.

Wednesday, October 11, 2006

PORTOLANI

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QUE DIREITOS HUMANOS?
Crescem os poderes do Mega-Estado Europeu
O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos em Estrasburgo acaba de apoiar a decisão de um tribunal alemão que proibe os pais de educarem os filhos em casa. O presidente do Congresso Mundial das Famílias Dr Allan Carlson expressou a sua revolta perante a atitude do tribunal.
"'The ban was instituted by the Nazis and it's a device worthy of the Nazis,' disse Carlson, 'The Euro Convention on Human Rights notwithstanding, the court specifically held that parents do not have a right to direct children's education."

A Convenção Europeia reconhece os direitos dos pais de assegurar que a educação e instrução dos filhos seja em conformidade com as suas convicções religiosas e filosóficas.
Parece, no entanto, que o tribunal não reconhece a Convenção.
Ler mais:

www.worldcongress.org

ou
www.profam.org

Tuesday, October 10, 2006

PORTOLANI

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Clinton e a Coreia do Norte
By Ben Johnson

Guess who gave North Korea a nuclear reactor, opposed missile defense, and still thinks we can buy off the rogue regime? Mais...
http://www.frontpagemag.com/Articles/Printable.asp?ID=24826

Monday, October 09, 2006

PORTOLANI

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Mais um modernizador muçulmano.
La rue arabe n'existe pas, mais la rue de l'islam, la rue de Dieu, existe.
Uma entrevista de Mohamed Kacimi, escritor argelino, no jornal francês Libération.

Mohamed Kacimi, né en Algérie, pose un regard sans illusions sur le monde arabe et l'islam. Sur ces sociétés «profondément communautaires, tribales» où «la notion d'individu n'existe pas». Où l'intellectuel est constamment écarté, tant la soumission au texte religieux et le mépris de l'esprit y sont grands. Mohamed Kacimi est né en 1955 à El Hamel (Algérie) dans une famille de théologiens. En 1987, il publie son premier roman, le Mouchoir (l'Harmattan). Puis, avec Chantal Dagron, Arabe, vous avez dit arabe ? (Balland). Passionné par la Bible, il écrit, toujours avec Chantal Dagron, un essai sur l'imaginaire religieux, Naissance du désert (Balland) puis le Jour dernier, (Stock). Mohamed Kacimi a écrit aussi pour le théâtre : 1962, évocation des utopies et des rêves de l'enfance algérienne, la Confession d'Abraham (Gallimard, 2000). Pour la Comédie-Française, il conçoit Présences de Kateb et l'adaptation de Nedjma de Kateb Yacine. Dernier ouvrage paru : Terre sainte, (l'Avant Scène, 2006). Il est en outre président de l'association d'auteurs Ecritures vagabondes....mais
http://www.liberation.fr/transversales/weekend/2009081.FR.php

Sunday, October 08, 2006

PORTOLANI

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Uma voz muçulmana

As an American Muslim who grew up loving his religion, I do not feel any happiness, nor do I see anything positive in realizing that the world now fears Muslims. IN FACT, I AM VERY SADDENED AND DEEPLY TROUBLED BY THESE DEVELOPMENTS. I AM VERY ANGRY AT THE RADICALS WITHIN MY FAITH WHO HAVE USED MY RELIGION AS A PLATFOR TO ESPOUSE HATE, PERPERTRATE ACTS OF VIOLENCE AND CREATE FEAR WITHIN THE JUDEO-CHRISTIAN WORLD. Mais....

http://www.frontpagemagazine.com/Articles/ReadArticle.asp?ID=24790

PORTOLANI

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Tapar o rosto ou não tapar?

Desde as declarações do ex-ministro britânico Jack Straw a semana passada, a comunicação inglesa não para de falar do uso do véu pelas mulheres muçulmanas. Em comparação com outros aspectos da cultura muçulmana esta "moda" feminina parece um factor menor. No entanto da pequena faisca deflagrou um incêndio que ameaça alastrar e até a normalmente supina Igreja de Inglaterra acordou de repente

http://www.melaniephillips.com/diary/?p=1347

http://www.melaniephillips.com/diary/?p=1349